Poetas de Cícero
Wednesday, March 08, 2006
  As palavras que te envio são interditas

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.


Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.


E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.


Eugénio de Andrade

 

Onde acoitar-me que não sinta as carnes retalhadas, se os meus sentidos me são chicotes e chicotadas?
Sulcos, Sebastião da Gama





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