Poetas de Cícero
Monday, February 27, 2006
  Sem título

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

© Fernando Pessoa (cancioneiro)
 
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Onde acoitar-me que não sinta as carnes retalhadas, se os meus sentidos me são chicotes e chicotadas?
Sulcos, Sebastião da Gama





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